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sábado, 29 de outubro de 2011

O cinema dos matemáticos


O quanto de cinéfilos há nos matemáticos e o quanto de matemática há nos filmes? A história do cinema nos remete a muitos exemplos em que as interrogações do universo das ciências exatas se apresentem como respostas a perguntas não solucionadas pelo homem.
O estudo da matemática começa na Grécia, século VI antes a.C. com os pitagóricos, os quais cunharam o termo "matemática" a partir do termo μάθημα (mathema) do grego antigo, significando, então, "tema do esclarecimento". Este grupo foi criado Pitágoras de Samos, foi um filósofo e matemático grego de 571 a.C. e 570 a.C. e morreu em Metaponto entre cerca de 497 a.C. ou 496 a.C. A sua biografia está envolta em lendas. Teve como sua principal mestra, a filósofa e matemática Temstocléia.




A matemática chinesa fez contribuições já muito cedo, incluindo o sistema de notação posicional. O sistema numérico indo-arábico e as regras para o uso de suas operações, atualmente em uso no mundo todo, foi provavelmente desenvolvido em torno da virada do primeiro milênio d.C. na Índia e transmitido ao Ocidente através da matemática islâmica. A matemática islâmica, por sua vez, desenvolveu e expandiu a matemática conhecida destas civilizações. Muitos textos gregos e árabes sobre matemática foram então traduzidos ao latim, o que contribuiu com o desenvolvimento da matemática na Europa medieval. A própria filosofia surge concomitante com as descobertas matemáticas com Tales de Mileto. E não podemos esquecer da India que contribuiu com a descoberta do zero. E o cinema não ficou de fora dessa história da matemática, já que sua invenção faz parte desta história também. 








Compêndio sobre Cálculo por Completude e Balanço de Muhammad ibn Mūsā al-Khwārizmī (cerca de 820 d.C.)







Papiro de Rhind do Antigo Egipto, cerca de 1.650 a.C.



 
Dentre os muitos filmes que representou esse universo matemático podemos destacar: PI de Darren Aronofsky de 1998 que nota a história de uma excêntrico matemático judeu que procura pelo nome de Deus através dos números. Temos Gênio indomável de Gus Van Sant de 1997 que narra a vida de um jovem (Matt Damon) rebeldem e que trabalha como servente de uma universidade, este revela-se um gênio em matemática e, por determinação legal, precisa fazer terapia, mas nada funciona, pois ele debocha de todos os analistas, até se identificar com um deles (Robim Williams). Um outro filme bem mais profundo e interessante é o Enigma de Fermat de Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña de 2007, neste filme, quatro matemáticos que não se conhecem, são convidados por um misterioso anfitrião denominado Fermat, para comparecer a um encontro em um lugar ignorado, sobre o pretexto de decifrar um grande enigma. Uma vez ali, os quatro descobrirão que suas vidas estão em risco, e que o enigma a desvendar será como sobreviver a uma engenhosa armadilha. Outro filme é Enigma de Michael Apted de 2001quipe de elite dos decodificadores da Inglaterra tem uma responsabilidade de decifrar o Enigma, um código utilizado pelos nazistas para enviar mensagens aos seus submarinos. Mas entre tantas biografias, o filme Uma mente brilhante de Ron Howard de 2001 me parece o melhor, por ser histórico, por falar de um ser humano que lutou contra a doença mental, e ao mesmo tempo fez relevantes descobertas matemáticas. 


Dr. John Nash
Cena do filme Uma mente brilhante.

A vida de Nash
Nash já mostrava ser solitário e introvertido, preferindo os livros a brincar com com outras crianças. Na escola, os professores não reconheciam Nash como um prodígio. Consideravam-no como uma criança extremamente anti-social. Aos doze anos, cada vez mais isolado, Nash refugiava-se no seu quarto, dedicando-se a fazer experiências científicas com as quais aprendia mais do que na escola. Por volta dos 14 anos de idade surgiu o seu interesse pela matemática, quando leu a obra “Men of Mathematics” (1937), de T. Bell. Nessa época, conseguiu provar para si mesmo alguns resultados de Fermat. Em 1941, ingressou na Universidade de Bluefield onde demonstrou e desenvolveu as suas capacidades matemáticas. Os colegas olhavam-no como um estranho, uma pessoa difícil de entender. Um episódio trágico veio agravar ainda mais o isolamento de Nash: numa explosão causada por uma experiência química levada a cabo por Nash e um colega seu foi mortalmente atingido. Em Junho de 1945, Nash ingressou na prestigiosa Universidade de Carnegie Mellon onde lhe foi oferecida uma bolsa de estudos. Iniciou a sua carreira universitária estudando química e depois matemática. Em 1948, foi aceito no programa de doutoramento em matemática em duas das mais famosas universidades dos Estados Unidos: Harvard e Princeton. A sua escolha recaiu sobre Princeton. Aí demonstrou interesse por vários campos da matemática pura: Topologia, Geometria Álgebra, Teoria do Jogo e lógica. Mas, mesmo em Princeton, Nash evitava comparecer às palestras e aulas. Aprendia sozinho, sem a ajuda de professores ou mesmo de livros. Ainda antes de acabar o curso provou o teorema do ponto fixo de Brouwer. Algum tempo depois resolveu um dos enigmas de Riemann que mais perplexidade causava. Em 1949, aos 21 anos, Nash, escreveu uma Tese de doutoramento que, 45 anos mais tarde, lhe daria o Prémio Nobel de Economia. O trabalho, conhecido como o "Equilibrio de Nash" (Non-cooperative games). Em 1950, Nash começa a trabalhar para a RAND Corporation, instituição esta que canalizava fundos do governo dos Estados Unidos para estudos científicos relacionados com a guerra fria. Nash aplicou os seus recentes avanços na teoria dos jogos para analisar estratégias diplomáticas e militares. Um ano depois, em 1951, Nash foi convidado para professor de matemática do MIT onde trabalhou até 1959. No decorrer da sua estadia no MIT, os problemas psíquicos começaram a agravar-se. Apesar do seu frágil equilíbrio psíquico, em 1953, teve um filho com Eleanor Stier a quem foi dado o nome de John David Stier. No entanto, contra a vontade de Eleanor, Nash nunca se casou. No verão de 1954, Nash foi detido pela policia numa operação de perseguição a homossexuais. Como consequência foi expulso da RAND Corporation. Em 1958, começa a sofrer de esquizofrenia. Nash teve que desistir do posto de professor no MIT e foi hospitalizado contra a sua vontade. A situação era extremamente irregular. Nash recuperava temporariamente, mas logo depois voltava a sofrer distúrbios mentais. Nos breves intervalos da sua recuperação, produzia importantes trabalhos matemáticos. Em 1990, conseguiu recuperar da doença. Em 1994 recebe, juntamente com John C. Harsanyi e Reinhard Selten, o Prémio Nobel da Economia pelo seu trabalho na Teoria dos Jogos (Theory of Non-cooperative Games). Outro filme que marcou foi Ágora de Alejandro Amenábar de 2009, neste filme conta a história da primeira matemática e filósofa da antiguidade, Hipatia (Raquel Weisz), O filme mostra como a professora de Alexandria, no Egito entre os anos 355 e 415 da nossa era se dedicou ao ensinamento da filosofia, matemática e astronomia na Escola de Alexandria, junto à Biblioteca. O filme mostra um período de grande turbulência, pois Alexandria é agitada por ideais religiosos diversos: o cristianismo, que passou de religião intolerada para religião intolerante. Hipátia era filha de Téon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria.


Hipátia


Hipatia
Criada em um ambiente de ideias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas, submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de ter a mente sã em um corpo são. Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas. Acredita-se que estudou na Academia Neoplatônica, onde se destacou pelos esforços para unificar a matemática de Diofanto com o neoplatonismo de Amónio Sacas e Plotino, isto é, aplicando o raciocínio matemático ao conceito neoplatônico do Uno (mônada das mônadas). Ao retornar, é nomeada professora na Academia de Alexandria onde fizera a maior parte dos estudos, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Aos 30 anos já era diretora da Academia. Um dos seus alunos foi o notável filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 - 413), que lhe escrevia frequentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, entre os quais o hidrômetro. Sabemos também que desenvolveu estudos e escreveu um tratado sobre a Álgebra de Diofanto ("Sobre o Cânon Astronômico de Diofanto"), e escreveu comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. Em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides. Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos confusos, com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade. Morreu brutalmente assassinada, De acordo com o relato de Sócrates, o Escolástico, numa tarde de março de 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Ela foi golpeada, desnudada e arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja. No interior do templo, foi cruelmente torturada até a morte, tendo o corpo dilacerado por conchas de ostras (ou cacos de cerâmica, segundo outra versão). Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira. (Esta era a forma cristã de punir os pensadores!).



"Meu coração deseja a presença de vosso divino espírito que mais do que tudo poderia adoçar minha amarga sorte. Oh minha mãe, minha irmã, mestre e benfeitora minha! Minha alma está triste. Mata-me a lembrança de meus filhos perdidos… Quando receber notícias tuas e souber, como espero, que estás mais feliz do que eu, aliviar-se-ão pelo menos a metade de minhas dores".
Trecho de uma carta de Sinésio de Cirene , aluno de Hipátia.



O cinema que sempre anda concomitante com a sociedade também se envolve com suas descobertas e afecções. E sempre estará representando as suas descobertas científicas, demostrando sempre interesse pelos pioneiros da verdade.



Texto dedicado aos matemáticos Anatoliy Skorokhod, (10 de setembro de 1930 - 3 de janeiro de 2011), e John Nash (13 de Junho de 1928 ).



Filmografia:
Ágora. Alejandro Amenábar. Espanha. 2009. 127 mim.
Enigma. Michael Apted. EUA. 2001. 108 mim.
Gênio indomável. Gus Van Sant. EUA.1997. 126 mim.
Uma mente brilhante. Ron Howard. EUA. 2001. 135 min



Referências;
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_matem%C3%A1tica. Acessao em 29 out. 2011.
http://www.somatematica.com.br/biograf/nash.php. Acessado em 29 out. 2011.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia. Acessado em 29 out. 2011.




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