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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Siddartha e a filosofia de Schopenhauer




 By Nelson Rodrigues



Hermann Hesse foi um escritor e poeta alemão. Ganhador do prêmio nobel de literatura. Seus trabalhos mais conhecidos incluem O lobo da estepe (Steppenwolf) , Siddhartha , e Magister Ludi, cada uma das quais explora busca de um indivíduo de autentico, auto-conhecimento e a experiência mística. 


Hesse


A transcodificação do texto-matriz para o cinema se deu em 1972 e dirigido por Conrad Rooks. O filme se ambienta no século III antes de Cristo, o jovem da casta brâmane Siddartha deixa a casa do pai. Tem apenas 18 anos e busca a essência e explicação das coisas do mundo, o estado eterno de paz e equilíbrio, torna-se um asceta. Por anos, torna-se asceta a discípulo de Buda.



Depois, cansa-se desta vida de jejuns, cânticos e total despojamento e parte para o mundo. São várias as questões que envolvem o filme. Desde os conceitos de liberdade, essência e vontade. Depois de suas viagens ao oriente e a as leituras de filósofos como Nietzsche e Schopenhauer começa sua literatura de fundo místico-filosófico. Em 1904, no entanto, Arthur Schopenhauer e suas ideias filosóficas começou a receber atenção de novo e Hesse descobre a teosofia. O que culmina na publicação do Siddhartha (1922). 






No filme Siddartha podemos perceber os mesmos questionamentos que a obra matriz. Temos a procura de um personagem pelo auto-conhecimento e essência das coisas do mundo. Devemos entender que não se trata de uma biografia do fundador do budismo Siddartha Gautama. Siddartha é um personagem fictício criado por Hesse para divulgar suas ideias de mundo. Tanto que o personagem fica um tempo aprendendo com o fundador do budismo mas percebe que ainda não é o que procura, e não irá seguir outros mestres, Siddartha quer seguir seu próprio caminho espiritual.


Schopenhauer


Dois pontos importantes podem se discutidos a partir da filosofia schopenhaueriana e da tradição budista, a questão da vontade e da liberdade. Arthur Schopenhauer nasce em Danzig, 22 de Fevereiro 1788 e morre em Frankfurt, 21 de Setembro 1860, foi um dos maiores filósofos alemães do século XIX. Seu pensamento é caracterizado por não se encaixar em nenhum dos grandes sistemas de sua época. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação (1819). Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Ficou conhecido pela sua filosofia pessimista e entendia o Budismo como uma confirmação dessa visão. Schopenhauer também combateu fortemente a filosofia hegeliana e influenciou fortemente o pensamento de Friedrich Nietzsche. Para Schopenhauer, a vontade era a grande força que fazia o universo mover. Era a essência das coisas e nossas representações de mundo eram construídas a partir da vontade.

o mundo é, de um lado, inteiramente representação, e de outro, inteiramente Vontade. Algo que não fosse nenhuma dessas duas, mas um objeto-em-si (e a essa condição Kant reduziu, desgraçadamente, a coisa-em-si) seria uma quimera fantasmagórica, e sua suposição um fogo fátuo da filosofia(Mundo como vontade e representação., §1, p. 32-33).

O pensador parte de uma interpretação de alguns pressupostos da filosofia kantiana, em especial de sua concepção de Fenômeno. Schopenhauer afirma que o mundo não é mais que Representação. Esta conta com dois pólos inseparáveis: por um lado, o objeto, constituído a partir de espaço e tempo; por outro, a consciência subjetiva acerca do mundo, sem a qual este não existiria. Contudo, Schopenhauer rompe com Kant, uma vez que este afirma a impossibilidade da consciência alcançar a Coisa-em-si, isto é, a realidade não fenomênica. Segundo Schopenhauer, ao tomar consciência de si, o homem se experiencia como um ser movido por aspirações e paixões. Estas constituem a unidade da Vontade, compreendida como o princípio norteador da vida humana. Voltando o olhar para a natureza, o filósofo percebe esta mesma Vontade presente em todos os seres, figurando como fundamento de todo e qualquer movimento. Para Schopenhauer, a Vontade corresponde à Coisa-em-si. E afirma:

o conceito de liberdade originário, empírico e derivado do fazer, resiste a aceitar uma conexão direta com o conceito de vontade. Por isso, para poder aplicar o conceito de liberdade à vontade, haveria que modificá-lo, concebendo-o como mais abstrato. Isso se conseguiria entendendo-se com o conceito de liberdade apenas a ausência de toda necessidade em geral (Sobre a liberdade da vontade, cap. I, p 37.)






Na obra fílmica Siddartha passa a querer conhecer as paixões. Com Kamaswami, aprende os princípios do comércio e a ganhar muito dinheiro. Com Kamala, uma cortesã, descobre os segredos do amor carnal. Ele experimenta todos os modos de vida à medida em que os anos passam. Para o filósofo alemão o impulso do desejo não se da de forma consciente (Schopenhauer foi o primeiro a discutir o inconsciente muito antes de Freud), ao contrário, se desdobra desde o inorgânico até o homem, que deseja sua preservação. A consciência humana seria uma mera superfície, tendendo a encobrir, ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo, a irracionalidade inerente à vontade. Sendo deste modo compreendida, ela constitui, igualmente, a causa de todo sofrimento, uma vez que lança os entes em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim - este período é representado no filme pelo tempo que Siddartha enriquece e esquece de sua busca espiritual - o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se. Segundo tal concepção, o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor; esta é a única e verdadeira realidade. Sua busca só parece terminar quando, já um homem velho, decide tornar-se um simples barqueiro.


Filmografia:
Siddartha. Conrad Rooks. EUA-Índia. 1972. 89 minutos.

Referencias:
SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e como representação. Trad. de Jair Barbosa, São
Paulo:UNESP, 2005.
_____. Sobre la libertad de la voluntad. Trad. de Eugenio Ímaz. 1a ed., 2a reimp., Madrid:
Alianza Editorial, 2004.
KANT, I. Crítica da Razão Pura. Trad: de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique
Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985.
149
_____. Crítica da Razão Prática. Trad. de Valério Rohden.1a ed., São Paulo: Martins Fontes,
2003.
LEFRANC, J. Compreender Schopenhauer. Trad. de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis:
Vozes, 2005.

1 comentários:

Luiz Santiago disse...

Curioso em ver o filme. É fácil de encontrar? As imagens são lindas, parece ser uma produção que realmente incita a várias reflexões.

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