By Márcio Sallem
Vez ou outra, eis que surge uma atuação tão poderosa e icônica capaz de mudar completamente a percepção e a sensibilidade em relação a uma obra cinematográfica. Em Zorba, O Grego, eu me refiro a lendária e contagiante interpretação de Anthony Quinn na pele do personagem título. O diretor grego Michael Cacoyannis nos convida a abraçar a loucura, o torpor e a embriaguez dos sentidos ao revelar um homem completamente avesso a costumes e regramentos sociais; alguém capaz de encantar, de enfurecer e de sensibilizar em apenas um único momento; sobretudo, alguém incessante que reconhecendo a loucura existente na vida, acaba reconhecendo na perda daqueles ao seu redor a melancolia da despedida.
Vez ou outra, eis que surge uma atuação tão poderosa e icônica capaz de mudar completamente a percepção e a sensibilidade em relação a uma obra cinematográfica. Em Zorba, O Grego, eu me refiro a lendária e contagiante interpretação de Anthony Quinn na pele do personagem título. O diretor grego Michael Cacoyannis nos convida a abraçar a loucura, o torpor e a embriaguez dos sentidos ao revelar um homem completamente avesso a costumes e regramentos sociais; alguém capaz de encantar, de enfurecer e de sensibilizar em apenas um único momento; sobretudo, alguém incessante que reconhecendo a loucura existente na vida, acaba reconhecendo na perda daqueles ao seu redor a melancolia da despedida.
Michael Cacoyannis usa uma roupagem leve e excêntrica, caracterizada na trilha sonora de Mikis Theodorakis que se transformaria na marca registrada do cinema grego. Mas, isto não evita que o cineasta aborde, com olhar crítico o relacionamento desequilibrado entre o escritor Basil (Alan Bates) e Zorba, assim como entre aqueles no pequeno vliarejo nos arredores de Creta, realçado pela fotografia vencedora do Oscar de Walter Lassally.
No entanto, a cada novo comportamento efusivo, seja uma gargalhada ensurdecedora ou a dança que acabou se transformando em sua marca registrada, é difícil não esquecer da popular cantiga que associa o riso e o desespero. Eis que Zorba, não somente um vírus da vivacidade, também revela seus traços ligeiramente obscuros, na recordação da morte do filho pequeno, no âmago da despedida da ex-vedete Hortense (Lila Kedrova, excepcional e reconhecida com um Oscar) e na defesa de uma viúva ameaçada pela comunidade.
Apesar do verniz que reveste uma vida com tons melancólicos, Zorba não hesita em olhar para frente, enviando uma mensagem otimista de viver a vida intensamente. De abraçar os seus amigos com força, amar sem amarras e limites, esquecer o ensaiar a vida. É natural, portanto, que ele não se interesse com as providências tomadas com o corpo morto de uma personagem importante e prefira polemizar em um comentário satírico sobre a religiosidade.
No entanto, a cada novo comportamento efusivo, seja uma gargalhada ensurdecedora ou a dança que acabou se transformando em sua marca registrada, é difícil não esquecer da popular cantiga que associa o riso e o desespero. Eis que Zorba, não somente um vírus da vivacidade, também revela seus traços ligeiramente obscuros, na recordação da morte do filho pequeno, no âmago da despedida da ex-vedete Hortense (Lila Kedrova, excepcional e reconhecida com um Oscar) e na defesa de uma viúva ameaçada pela comunidade.
Apesar do verniz que reveste uma vida com tons melancólicos, Zorba não hesita em olhar para frente, enviando uma mensagem otimista de viver a vida intensamente. De abraçar os seus amigos com força, amar sem amarras e limites, esquecer o ensaiar a vida. É natural, portanto, que ele não se interesse com as providências tomadas com o corpo morto de uma personagem importante e prefira polemizar em um comentário satírico sobre a religiosidade.
Assim, Michael Cacoyannis, refestelando-se no clichê do grego, ousa criticar os próprios costumes do povo, na ênfase da violência quase arcaica da vingança em um tomada inconstante e desigual, ou o retrato triste das anciãs predatórias, que voam quase como urubus sob a carniça de uma pessoa morta. Mas, sem esquecer que o coração do grego está na dança, na alegria e no amor a vida.
Um ensinamento rico de um filme apaixonante e que, infelizmente, nossa humanidade ainda não conseguiu aprender. Deveríamos ser mais gregos; deveríamos ser mais Zorba.
Texto Gentilmente cedido para o Filocinética pelo blog Cinema com Crítica.
(http://cinemacomcritica.




1 comentários:
Amigo, venha participar do nosso novo teste cinematográfico. Katharine Hepburn é o tema.
O Falcão Maltês
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